O sistema prisional do Espírito Santo integrou a grade disciplinar do VII Curso de Negociação Policial (CNP 2026), aplicado pelo Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). O exercício prático simulou uma rebelião com refém na Penitenciária Estadual de Vila Velha 2 (PEVV2), no Complexo Penitenciário Eduardo Pereira da Silva, na manhã desta quarta-feira (08).
A capacitação é voltada ao aprimoramento técnico de profissionais que atuam em ocorrências complexas e situações críticas. Com carga horária total de 248 horas-aula, o curso conta com a participação de 30 alunos, entre eles, um policial penal. Desse total, 24 são policiais militares do BME, além de profissionais de outras instituições policiais, entre elas, a Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), Polícia Penal do Distrito Federal (PP-DF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O comandante do Batalhão de Missões Especiais (BME), Tenente-coronel Rafael Fernando de Carvalho, comandou o exercício prático e destacou a integração de forças e o apoio da Secretaria da Justiça (Sejus) na simulação realizada em uma unidade prisional do Estado. De acordo com o comandante, o Curso de Negociação Policial visa, acima de tudo, preservar vidas e aplicar a lei.
“A negociação faz parte do dia a dia do BME e é uma ferramenta importante dentro do gerenciamento de crise, exigindo preparação prática e conhecimento em áreas como psicologia, neurolinguística e oratória. O objetivo final é salvar a maior quantidade de vidas possível, dentro da doutrina que prioriza preservar vidas e aplicar a lei. Por meio da negociação, buscamos sempre uma solução pacífica, baseada no convencimento para a rendição dos envolvidos, evitando o uso da força. Em um ambiente confinado e de alto estresse, como em um presídio, o trabalho é entender as demandas e os motivos da crise para solucioná-la”, explicou.
Simulação
Uma galeria da Penitenciária Estadual de Vila Velha 2 (PEVV2) foi usada para a simular uma rebelião, tendo como reféns servidores penitenciários. O exercício durou, aproximadamente, três horas, e reuniu cerca de 70 policiais.
O Gerente de Administração do Sistema Penitenciário (Gasp), Eduardo Faria Nascimento, destacou os avanços alcançados no sistema prisional do Estado, que desde 2013 não registra rebeliões nos presídios, mas reforçou a necessidade de qualificação constante dos policiais penais que atuam nas unidades.
“O sistema prisional do Espírito Santo vem alcançando resultados consistentes graças a um trabalho operacional integrado, que alia a atuação estratégica da Polícia Penal ao uso intensivo da inteligência prisional e de tecnologias de monitoramento e controle. Esse conjunto de ações é o que permite, hoje, mantermos um sistema mais seguro, tanto para quem está nas unidades quanto para toda a sociedade”, ressaltou.
“Ao mesmo tempo, é fundamental destacar que esse cenário exige aprimoramento constante. Capacitações como o Curso de Negociação Policial e a integração entre as forças de segurança são essenciais para fortalecer nossas ações. Essa troca de conhecimento garante mais assertividade na nossa atuação, uma vez que precisamos estar preparados para qualquer situação de crise que possa colocar a segurança do sistema em risco”, concluiu Eduardo Faria Nascimento.
Capacitação
O policial penal, Bruno de Carli Scaquetti, da Divisão de Operação Tática (DOT) da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), participa do Curso. A DOT atua de forma especializada em situações de crise no sistema prisional, com intervenções em motins, rebeliões e demais ocorrências e operações realizadas nas unidades prisionais do Estado.
A expectativa é ampliar a formação de negociadores dentro da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES). De acordo com Bruno, o conhecimento adquirido só qualifica ainda mais o trabalho realizado no sistema prisional capixaba.
“Após a mudança da lei da Polícia Penal, que passou a incluir situações de reféns dentro dos presídios, essa formação se torna de suma importância para a instituição. A capacitação traz muito conhecimento, bagagem e valor, contribuindo para a formação de novos policiais e para uma abordagem doutrinária diferente nessas ocorrências. O curso é multidisciplinar, envolvendo psicologia e o entendimento da mente humana, permitindo identificar comportamentos, e aplicar técnicas de persuasão. Também trabalha fortemente o controle emocional, tanto do negociador quanto do rebelado. É um conhecimento muito amplo e que podemos levar para vida, não apenas para o cotidiano de trabalho”, ressaltou.
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Sandra Dalton / Paula Lima